Lenda da Justiça de Fafe

A Lenda da Justiça de Fafe é um dos maiores símbolos referênciais maiores deste localidade. É para muitos o verdadeiro "ex-libris" de Fafe. Como tal, não podia deixar de haver um monumento evocativo dessa tradição. O "Monumento à Justiça de Fafe" foi inaugurado em Agosto de 1981. Associada ao monumento está uma curiosa e conhecida lenda, de que se apresenta a versão mais vulgarizada.

História

O símbolo da "Justiça" tem como base uma famosa lenda, com diversas versões, mas qual delas a mais próxima da "verdade"? Se é que as lendas testemunham alguma aproximação à verdade! Qual delas a mais mirabolante e fruto da imaginação popular?

A versão mais difundida desde o inicio do século XIX, foi objecto de um longo poema de Inocêncio Carneiro de Sá, o "Barão de Espalha Brasas", que se transcreve já a seguir. Fala de episódio, registado no século XVIII e protagonizado pelo Visconde de Moreira de Rei, político influente no concelho e homem de bem mas não de levar afrontos para casa. Deputado às Cortes, terá chegado atrasado a uma sessão daquele órgão monárquico, no que terá sido censurado grosseiramente por um tal "Marquês", também deputado, que chegou ao desplante de lhe chamar "cão tinhoso".

O nosso Visconde fingiu não ouvir o impropério e mostrou-se tranquilo durante a sessão mas, finda aquela, interpelou o Marquês petulante, repreendendo-o pelas palavras descorteses que lhe havia dirigido. Em vez de lhe pedir desculpa, este arremessou-lhe provocadoramente as luvas no rosto.

Na época, os conflitos resolviam-se em duelo, que se tornou inevitável.

Ao ofendido competia escolher as armas, e quando todos pensavam que iria preferir espadas ou pistolas, como era usual na altura, o Visconde apresenta-se para o recontro munido de dois resistentes varapaus. O marquês, é claro não sabia manejar tal arma, e assim, quando a sessão de bordoada começou, o Visconde, perito na arte do jogo do pau, tradicional nesta região, enfiou-lhe tanta fueirada no rival que, como escreve o poeta, "pôs-lhe o lombo num feixe".

À gargalhada ante o acontecimento, os assistentes não se contiveram e gritaram, em coro: "Viva a Justiça de Fafe". Esta é a versão mais corrente da origem da expressão "Justiça de Fafe", duas outras versões populares são referenciadas sobre a origem da "Justiça de Fafe".